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Autorretrato,desenho, bico de pena, 1962

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Fragmentos do mundo, guache, s.d.

Archidy Picado

Archidy de Noronha Picado
Petropólis-RJ, 1937–João Pessoa-PB, 1985.

Artista plástico, poeta, cineasta e professor. Filho do Tenente Picado (oficial músico, maestro da Banda de Música do 15º Batalhão de Infantaria), ainda jovem, frequentou os cursos livres ministrados por Ivan Serpa e Fayga Ostrower (MAM, Rio de Janeiro). Nos anos 1960, ao lado de Lamartine Holanda, Arthur Cantalice, Hugo Abath, Marcus Odilon, Josival Cavalcanti e outros, funda a Sociedade Cultural Juvenil, que, àquela época, já emergia inovadora e revolucionária com aulas de nu. Dez anos depois, ajudou a criar o Setor de Artes da UFPB, junto a Breno Mattos, Vanildo Brito, Raul Córdula e Hildebrando Assis. Foi professor de inglês na UFPB e cônsul honorário da Costa Rica na Paraíba. Após sua morte, em 1985, a galeria de arte da Funesc recebeu seu nome, por sugestão de Arthur Cantalice. Em 1995, o II Fenart (Governo da Paraíba/Funesc), rendeu-lhe homenagem com seminário e mostra iconográfica.

“Ninguém foi tão cobrado, na João Pessoa de sua época, por suas atitudes pioneiras, suas propostas criativas e as interferências no olhar complascente da classe dominante do que o artista plástico e poeta Archidy Picado. Pouco conheceu das glórias devidas à sua grande arte. Pouco se escreveu sobre sua obra, até porque ele não freqüentou nem prestigiou o mercado formal da arte. Sua obra, pequena diante de sua ansiedade de criar – pertence hoje à sua família e aos seus amigos fiéis. Ninguém foi, porém, mais generoso do que ele. Acolheu na casa de seu pai, onde tinha atelier, toda uma geração de jovens artistas ávida de suas idéias e das informações de suas idas-e-vindas ao Rio de Janeiro, onde freqüentava os cursos livres do Museu de Arte Moderna, ministrados por Ivan Serpa e Faiga Ostrower, foco da atualidade da arte brasileira da década de 50. A homenagem que o II Fenart [Funesc, 1995] prestou-lhe é importantíssima, para um dos principais objetivos das instituições culturais que é o de mediar a cultura local com a população, e nisso devemos incluir os jovens interessados em arte. Este acontecimento cultural destina-se a ser um necessário resgate do período de nossa cultura em que João Pessoa se destacou como um centro de produção cultural aliado à modernidade, mesmo que para isso nadasse contra a correnteza dos que mantêm no poder as tradições menos progressistas.”

“Abrir o ‘Baú de Prata’ em que se transformou a vida e a obra de Archidy Picado é como mobilizar as atenções do público para uma geração de criadores que integrou no cotidiano da Paraíba a pintura moderna, o texto vanguardista, as discussões entre forma e conteúdo oriundas do Concretismo, a poesia visual, o teatro do absurdo, a questão do regionalismo versus universalismo, a consciência ecológica, a cultura de massa, a crítica de arte, Aruanda e o Cinema Novo, os conceitos de urbanismo e arquitetura que conhecemos hoje, o rock and rolI, as políticas culturais e tantas outras coisas que propiciaram a visão de mundo que temos agora. Para a homenagem foi concebida uma exposição de quadros e de iconografia referente a Archidy, e uma mesa redonda para a discussão de sua vida e obra. A exposição foi montada na Galeria que tem seu nome e que completa dez anos de atividades voltadas para a amostragem da arte contemporânea, a exemplo do que foi o Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB debatendo e estudando cada mostra, fazendo com que percam o caráter eventual e adquiram um sentido referencial. Esta mesa-redonda pretende mostrar, entre outras coisas, como foi sua intervenção na realidade cultural, entre outros artistas do seu tempo. Certamente a modernidade ocupará o principal espaço nesta reunião. Não que Archidy tenha sido o primeiro modernista paraibano, mas ele foi àquele que despertou nos seus pares, artistas plásticos de 30 anos atrás, as esperanças numa arte liberta das amarras acadêmicas que faziam dela um simples apêndice da sociedade.” (Raul Córdula, ABCA/AICA, 1995)

Archidy era artista plástico e crítico de arte, escreveu contos e poemas, além de ter realizado filmes em Super 8. Profundo conhecedor da língua e da literatura inglesa, foi professor na UFPB e ensinou História da arte na Funesc. “Um pintor que escrevia bem sobre arte”, diz Vanildo Brito. Archidy Picado introduziu o expressionismo na pintura paraibana e teve notável atuação como ensaista. Integrante da chamada Geração 59, foi responsável, através do livro de poesias A Máquina, “pela primeira manifestação do Concretismo no âmbito da província, e, embora tenha convivido com o Geração 59, tinha um discurso poético frontalmente oposto ao grupo, na medida em que procurava se utilizar dos ingredientes postulados pela vanguarda de então”, conforme o professor e poeta Sérgio de Castro Pinto.

fonte: [II Fenart, João Pessoa, 1995; outros catálogos]

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