Arion Farias

João Pessoa-PB, 1936. Vive e trabalha em João Pessoa.

Fotógrafo. Cresceu num ambiente onde se respirava fotografia. Aos 12 anos ajudava seu pai a preparar o flash de magnésio, de fabricação artesanal. O pai se ocupava da câmera de fole 18x24cm, os chassis duplos com delicadas chapas de vidro 13x18cm de ambos os lados e o pesado tripé. Com o lançamento no mercado de câmeras mais leves, passou a trabalhar fora dos estúdios e fazer fotografias sociais: 1ª comunhão, casamento e formaturas, entre outros ritos de passagem. Aos 14 anos já era incumbido de realizar tarefas de “gente grande” para outros fotógrafos, como Gilberto Stuckert. A partir dessas experiências, começou sua carreira profissional. Com 16 anos, de terno e gravata, já atuava no auditório da Rádio Tabajara, espocando seu flashsobre rostos famosos da MPB – Orlando Silva e Dalva de Oliveira –, transformando em pequenos retratos que vendia para os fãs. Cuidadoso com a memória fotográfica da Paraíba, Arion foi professor da disciplina nos cursos de Arquitetura (a partir de 1977) e de Comunicação Social (a partir de 1980) da Universidade Federal da Paraíba. Escreve nos jornais locais sobre a memória da fotografia da cidade. Além disso, colecionou um acervo de fotografias e equipamentos comprados ou recebidos de amigos. Doado à Funesc, constitui hoje o Museu Histórico da Fotografia Paraibana.

“Antigamente o fotógrafo era solicitado não pela sua capacidade artística mas pela sua agilidade. Ser rápido na troca das lâmpadas de flash e na preparação da câmera: colocar o chassis na máquina, focar, armar o obturador e pegar a lâmpada no bolso do paletó. Todo fotógrafo andava de paletó e gravata. O fotógrafo para ser bom tinha que tirar a lâmpada do bolso e lamber o bocal, um ato normal. Não era considerado anti-higiênico. Era visto como uma habilidade técnica para melhorar o contato da lâmpada com a base do flash senão ele falhava. Quando o flash espocava havia uma combustão, a lâmpada ficava quente e não se podia pegar facilmente para colocar no chão; a gente desenroscava com dificuldade e jogava para cima. Ela fazia uma trajetória de mais ou menos dois metros e caía com aquele barulho. Era normal fazer isso em plena cerimônia. Ela não se espatifava porque tinha uma camada de mica plástica, só fazia o barulho. Ficava como um vidro de automóvel quando quebra. Com umas 5 lâmpadas no bolso, eu ficava parecendo que era gordo. Tinha-se que repetir rapidamente toda a operação para fazer a foto seguinte.”

fonte: [Fotografia na Paraíba, Bertrand Lira, Ed. Universitária, João Pessoa, 1997]

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