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Paisagem, óleo sobre tela, 50x70cm, 1957. Acervo Marinácia Piancó
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S/T, mista sobre eucatex, 90x100cm, 1988

Ivan Freitas

João Pessoa-PB, 1932 – Rio de Janeiro, 2007.

Pintor. Autodidata. Realiza sua primeira mostra individual na Biblioteca Pública (João Pessoa, 1957). Expõe no Recife, em 1958, quando se transfere para o Rio de Janeiro, onde, a partir de 1960, submete obras, pela primeira vez, ao Salão Nacional de Arte Moderna. Em 1961 obtém bolsa de estudos da Maison de France, permanecendo um ano em Paris/França. Retorna ao Brasil e realiza a exposição Ivan Freitas: Paris 1963 na Galeria Barcinski (Rio de Janeiro). Em 1968 a revista Galeria de Arte Moderna publica o artigoIvan Freitas e o espaço cósmico. Entre 1969 e 1973 viaja para os Estados Unidos, comissionado pela ITT, realizando exposições em Nova York e Washington. Participa da Bienal Internacional de São Paulo em 1973 e 1975. Expõe em galerias do Rio de Janeiro, São Paulo, Trieste, Nápoles, Buenos Aires, Montevidéu e Valparaíso. Em 1984 idealiza e executa o mural do Largo da Lapa, na lateral da Escola de Música, representando uma imagem da Baía da Guanabara. Realiza a exposição Cidade da memória dedicada à cidade de João Pessoa na Galeria Falcone Artes & Objetos, que convidou o artista para retratar paisagens, arquitetura histórica e visões urbanas atuais da capital e seus arredores; mostra também apresentada no Hall do Theatro Santa Roza [10ª Noite da Cultura]( SEC/Governo do Estado, 1995).

“Do ponto de vista histórico, o processo dialético levou à síntese admirável da social-democracia. Do ponto de vista da arte, levaria a soluções de bela construção plástica, como a que Ivan Freitas conseguiu realizar. Pela pintura de Ivan passam todas as grandes vertentes de criação artística do século. Menos como influência, do que como forma pessoal de expressão da linguagem do tempo. São as afinidades geracionais. O seu geometrismo é uma tendência do tempo, como que busca racionalizada de parâmetros, que costuma ocorrer em épocas predatórias de choque de ideias. Mas, é admirável como Ivan sublimou essa tendência, a ponto de transformá-la num ato de criação de valores estéticos de inesgotável riqueza. A busca de uma visão nova do mundo levou-o a reordenar os espaços, comunicando-lhes um toque de eternidade etérea. A angústia de Mondrian sugeriu-lhe ordenação rígida dos espaços fechados: a inquietação de Ivan Freitas conduziu-o à criação das paisagens infinitas a céu aberto, em que provavelmente se situaria o ‘assento etéreo’, que Luis de Camões colocou a sua sempre lembrada Dinamene. O crítico Olívio Tavares de Araújo, de São Paulo, escrevendo sobre Ivan, chama a atenção para o fato de que a melancolia e solidão dos mundos infinitos do pintor parahybano lembravam as praças metafísicas de Giorgio De Chirico. Mas a mesma solidão dos espaços é alucinante solidão silenciosa dos espaços siderais, em que um mutismo cósmico preside a harmonia das esferas. ‘E, se em suas paisagens, escreve Ferreira Gullar, não aparece o homem, não é que essa ordem o exclui – é que ele ainda não a alcançou.’”

“Há na pintura de Ivan um sentido de criação desbravadora, que dele faz um verdadeiro filho do século XX. O parahybano Ivan Freitas é um cidadão do mundo. Mais do que isto: é um cidadão do seu tempo. Ele se situa neste final de século, como um artista que contribuiu para a criação da modernidade contemporânea que ele consegue projetar para além de seu tempo, fincando as raízes da modernidade futura.” (Odilon Ribeiro Coutinho, escritor e colecionador paraibano, 1995).

fonte: [catálogo II Arte atual paraibana, Funesc, 1990; catálogos do artista]

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