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Arquivo do artista, 2009
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Da série Cartas de Areia, têmpera (sobre envelopes e cartas), 50x40cm, 1989-2005

José Rufino

José Augusto Costa de Almeida
João Pessoa-PB, 1965. Vive e trabalha em João Pessoa.

Artista visual e professor (UFPB). Graduação em Geologia na UFPE, onde concluiu Doutorado. Cursos livres (Coex/UFPB, 1977). Em 1983 muda-se para Recife e tem contato com a Mail Art e Poesia Visual. Em suas obras, utiliza materiais relacionados à sua história familiar, como documentos, cartas e mobiliário. Em 1991 recebe Menção Honrosa noProjeto Nascente (USP, São Paulo), e no ano seguinte, é premiado na sua segunda edição. Participações em mostras internacionais: VI Bienal de Havana (1997); 25º Panorama da Arte Brasileira (MAM São Paulo, 1997); Bienal Barro de América Roberto Guevara (Venezuela, 1998); XXV Bienal Internacional de São Paulo (2002); Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 1999); Copa da Cultura (Berlim/Alemanha, 2006); I Bienal del Fin del Mundo (Ushuaia/Argentina, 2007). Exp. ind.: MAMAM (Recife, 2003); Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2004); MAC (Niterói-RJ, 2005); Embaixada do Brasil (Berlim/Alemanha, 2006); Galeria Virgílio (São Paulo, 2008); CCBNB (Fortaleza-CE e Sousa-PB, 2009); Palácio da Aclamação (Salvador, 2010); The Andy Warhol Museum (Pittsburg/EUA, 2010). Nos últimos anos, José Rufino desenvolveu uma das mais inventivas trajetórias da produção brasileira contemporânea, fazendo da memória individual (de outros ou sua) uma passagem para a rememoração coletiva.

“Se há um começo aqui, ele está na história de um nome. José Rufino não é o nome de registro do artista, mas como era chamado o seu avô paterno (1895-1979), antigo senhor do engenho Vaca Brava, situado em Areia, município do brejo da Paraíba. A apropriação do nome desse seu ascendente, já no final da década de 1980, coincide com o recebimento, como herança familiar, do acervo documental que àquele pertencera: formado por cartas, notas, recibos, bilhetes, livros e papelada diversa, esse ajuntamento de rastros materiais permitiu a reconstituição de parte do universo escriturário e sentimental no qual seu avô vivera e exercera, por tempo longo, o poder dos donos. Universo que inclui o ambiente familiar e geográfico no qual o artista, na infância, passara extensas temporadas. Foi a partir desse encontro com seu passado próximo e também distante que a obra que desenvolvia sob o nome de origem (José Augusto) sofreu inflexão brusca, passando a tomar aquele acervo como suporte quase único.

É desse período o início das Cartas de Areia, centenas de desenhos e pinturas feitos sobre envelopes e cartas enviadas a seu avô por várias décadas e por gentes as mais distintas. Valendo-se de meios variados (lápis, nanquim, guache, têmpera etc.). José Rufino criou, sobre esses registros de época um outro inventário de lembranças e símbolos, estabelecendo laços entre gerações distintas e tecendo elos entre tempos distantes. Por vezes, são imagens de paisagens áridas tiradas da memória que enchem o papel antigo; noutras, são evocações da casa grande da fazenda ou de móveis da família. Há ainda figuras solitárias e despidas que exibem seus sexos, e também a presença recorrente de árvores e cruzes. Parcialmente encobrindo endereçamentos carimbos, selos ou mensagens formais, as imagens criadas desvelam a sobreposição de histórias diversas que, embora apartadas pelo tempo, já dividiram um mesmo lugar. (Moacir dos Anjos, curador)

fonte: [catálogos do artista]

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